O coreógrafo Flavio Miguel mostra como a dança começa antes da pista e envolve toda a família.

Em uma festa de debutante, existe um momento em que a música começa, a pista se abre e todos os olhares se voltam para quem está dançando. Por trás desse instante, que dura poucos minutos, existe um processo de preparação que envolve encontros, ensaios e criação.

É nesse território que o coreógrafo Flavio Miguel construiu sua trajetória ao longo de quase duas décadas no mercado de eventos. Especialista em samba de gafieira e salsa cubana, ele desenvolveu uma linguagem própria para coreografias de festas de 15 anos, equilibrando técnica, musicalidade e leitura da personalidade de quem dança.

Ao longo do tempo, Flavio também percebeu uma mudança importante na forma como a dança passou a fazer parte das celebrações.

Foto: Jorge e Larissa Ribas Fotografia

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A dança como início da festa

Se antes a coreografia aparecia apenas como um momento dentro da programação da noite, hoje ela começa muito antes da festa.

Segundo o coreógrafo, os ensaios se transformaram em parte da experiência da debutante. Reuniões com amigas, grupos de casais e familiares acabam criando momentos de convivência que antecipam o clima da celebração. “Para muitas debutantes, a festa começa nos ensaios”

No dia do evento, a dança também ocupa um papel central. É um dos poucos momentos em que a festa literalmente pausa para assistir o que acontece na pista. Flávio observa ainda que pais, avós e amigos passaram a se envolver mais com esse processo. Muitos buscam aprender passos novos e viver o momento com dedicação.

“O pai não quer mais fazer apenas um movimento simples. Ele quer dançar de verdade com a filha, aprender algo novo e viver esse momento com ela.”

O mesmo acontece com o chamado “príncipe”, papel que hoje frequentemente é ocupado por um melhor amigo ou primo da debutante, o que reforça o caráter afetivo da apresentação. Para o coreógrafo, esse movimento aproxima a dança do universo dos jovens e ajuda a mostrar que dançar a dois pode ser uma experiência divertida e significativa.

Foto: Jorge e Larissa Ribas Fotografia

Foto: Jorge e Larissa Ribas Fotografia

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Influências que moldam o movimento

A formação de Flavio Miguel no samba de gafieira e na salsa cubana influencia diretamente sua maneira de coreografar. Do samba, ele destaca a precisão rítmica e a ginga, elementos que ajudam a suavizar movimentos mais rígidos presentes em danças tradicionais como a valsa.

Já a salsa ampliou sua escuta musical. A riqueza instrumental desse estilo, com diferentes camadas sonoras e variações de compasso, trouxe uma visão mais ampla sobre a estrutura das músicas. Esse repertório permite que o coreógrafo transite com facilidade entre ritmos e estilos variados, algo cada vez mais comum nas festas de 15 anos atuais.

A coreografia nasce da personalidade

Embora a escolha da música tenha peso no processo criativo, Flavio acredita que a exclusividade de uma coreografia nasce principalmente da pessoa que vai dançar.

“Mais do que a música, o que define a coreografia é a personalidade da debutante e a história dela.”

Mesmo quando utiliza movimentos semelhantes em diferentes trabalhos, a forma de executar e organizar esses passos muda de acordo com quem está na pista. A maneira de se mover, a confiança, a timidez ou a espontaneidade influenciam diretamente na construção da coreografia.

A história da família também faz parte desse processo. A partir dessas referências, o coreógrafo define a linha de movimentos que irá conduzir o momento da dança.

Foto: Jorge e Larissa Ribas Fotografia

Foto: Jorge e Larissa Ribas Fotografia

Método construído com experiência 

Depois de quase vinte anos no mercado, o coreógrafo estruturou seu trabalho em quatro pilares. O primeiro são os modelos de desempenho para os ensaios, que ajudam a acompanhar o andamento da preparação. Ensaios com pais, avós ou grupos de amigos possuem ritmos diferentes e exigem abordagens específicas.

O segundo pilar é o planejamento, que organiza cronogramas, formatos de ensaio e horários para que o processo não se torne cansativo para a debutante. A atenção aos detalhes aparece como o terceiro elemento central. Pequenos ajustes, segundo ele, podem transformar completamente o resultado final de uma apresentação.

Por fim, Flavio destaca a boa vontade como parte essencial do trabalho. A abertura para ouvir sugestões e adaptar coreografias faz parte da dinâmica do processo criativo.

Foto: Jorge e Larissa Ribas Fotografia

Foto: Jorge e Larissa Ribas Fotografia

Antes da dança, a escuta

Antes de criar qualquer passo, Flavio procura compreender quem é a debutante e qual é o contexto familiar em que ela está inserida.

A personalidade da jovem funciona como um guia para o processo criativo. Em alguns casos, a coreografia precisa ajudar uma debutante mais tímida a se sentir segura na pista. Em outros, o desafio é equilibrar uma personalidade mais expansiva.

A relação com a família também é observada com atenção. Entender valores, expectativas e o estilo da celebração ajuda a alinhar desejos e construir uma coreografia coerente com aquele momento.

No trabalho com sua equipe, Flavio costuma usar uma metáfora simples para reforçar o cuidado com o processo. Ele pede que todos imaginem que estão criando uma coreografia para alguém muito próximo, como uma irmã, prima ou sobrinha querida. A ideia é lembrar que aquele momento tem um valor emocional profundo para quem está vivendo a festa.

“Se fosse para alguém que você ama muito, você faria desse jeito ou se dedicaria ainda mais?”, costuma perguntar.

Inesquecível Festa
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